Vacinação infantil (segunda parte)

Continuando nossa conversa sobre vacinas em crianças, devemos lembrar que a proteção infantil, tem no conhecimento da maturidade do sistema imunológico, que a criança recebeu anticorpos prontos de sua mãe (imunidade passiva), no primeiro ano de vida, neste período, começamos a ensinar ao RN, como fabricar seus próprios anticorpos e também reconhecer os antígenos dos micro-organismos que podem causar doenças, ainda de forma lenta. Entre os 12 meses e 24 meses de vida ele já estará mais preparado e começamos a aplicar alguns reforços, e também novas vacinas contra alguns outros agentes, que estas crianças receberam da mãe, e agora já não estão mais ativos, e aí dependem dos próprios anticorpos que são produzidos pela vacinação, e aí sim, eles se protegem por conta própria.

Ao final de 2 anos as crianças já podem se defender sozinhas, contra (tuberculose, hepatite B, hepatite A, difteria, tétano, coqueluche, sarampo, cachumba, rubéola, varicela, meningites bacterianas pneumocócicas e meningocócicas, doenças pneumocócicas, febre amarela, gripe, rotavírus, poliomielite).

Os calendários vacinais deste período, dependem da visão de proteção do SUS (Saúde pública) e da SBIM e sociedades científicas, na saúde pública a proteção visa controle e proteção de uma grande população contra várias doenças e que esta doença seja controlada para evitar disseminação destas doenças por toda a população. A SBIM visa proteção maior tentando além de controlar, também evitar que o indivíduo fique doente e não transmita a doença para outros.

Conforme as crianças crescem e seu sistema imunológico amadurece, reforços vão sendo aplicados com o intuito de aumentar a proteção ao longo do tempo e outras doenças, mais frequentes em idades maiores, vão sendo adicionadas aos calendários, tais como HPV, dengue e outras arboviroses.

Sempre lembrar das vacinais que necessitam destes reforços, conforme a característica da doença, o grande exemplo é a gripe, que pela sazonalidade, e pela capacidade de mutação do vírus, precisa de revacinação anual, outras doenças necessitam de períodos maiores como exemplo, as meningites do tipo ACWY, que devem receber reforços a cada 5 anos, a febre amarela precisa de 2 doses na vida (9 meses e reforço aos 4 a 6 anos).

Duas doenças precisam de reforços a cada 10 anos, são o tétano e a coqueluche, depois deste período qualquer indivíduo, já não possui mais anticorpos circulantes que o protejam. A coqueluche no caso das gestantes, precisam de reforço a cada gestação, para proteção do bebê, este reforço, força o organismo materno aumentar o número de anticorpos circulantes que chegam ao bebê, e o protegerá após o nascimento até mais ou menos o primeiro ano de vida.

Mais adiante falaremos mais sobre a proteção, conforme as crianças crescem, e já com o sistema imunológico mais desenvolvido pode se proteger mais por conta própria.